Armistício

Na data certa, a memória dos homens do CEP e das expedições a Angola e Moçambique, numa ilustração do grande autor de banda desenhada sobre a Grande Guerra, Jacques Tardi.

C’etait la Guerre des Tranchées, Dargaud.

Num momento raro de jornalismo, o Correio da Manhã assinalou a data com uma entrevista, cuja leitura recomendo, a uma das pessoas que melhor tem estudado a participação portuguesa na Grande Guerra: António José Telo.

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Jukebox Pré-histórica

Na semana passada, referi a propósito de Gonna Get Close to You que não era uma das melhores canções do Rage For Order, até porque se tratava de uma versão.

Para hoje escolhi aquela que, para mim, é melhor conseguida do álbum e, talvez, a que mais quebrava os estereótipos do metal em 1986.

Screaming in Digital, aborda, numa leitura imediata, a questão da sobreposição da tecnologia à humanidade, mas numa segunda leitura, as palavras remetem para o fenómeno do controlo da informação, tão bem descrito por Orwell no seu 1984, e que hoje se encontra no centro do debate político com as fake news.

A música, essa afasta-se do metal clássico e procura elementos que a aproximem da tecnologia com o recurso a sintetizadores, elementos pré-gravados, e  um ritmo industrial.

Por último, a performance vocal distribuída pelo vocalista (Geoff Tate) e um dos guitarristas (Chris DeGarmo) consegue transmitir toda a sensação de angústia de quem se sente aprisionado nos seus horizontes e se tenta libertar, através de um diálogo entre homem e máquina.

Infelizmente, para Screaming in Digital não houve vídeoclip, nem consegui encontrar nenhum concerto com imagem e a canção completa. Os que existem, são gravados em 1995 e a canção é encurtada. Assim, aqui fica o áudio de um concerto de 1989 no Japão.

Como brinde, e para os mais curiosos, podem ouvir, aqui, a demo da canção e constatar as diferenças tanto na música como na letra.

 

 

 

 

 

A arqueologia subaquática, a tutela e o complexo Indiana Jones

Na última semana, a arqueologia subaquática foi destaque em vários jornais, com a publicação de uma notícia que dá conta de que dois mariscadores reclamam como sendo seu a identificação de um naufrágio que havia sido apresentado há algumas semanas por uma equipa da Câmara de Cascais e outras entidades parceiras, no âmbito de um projecto de investigação desenvolvido pela autarquia.

Aqui podem encontrar a transcrição da notícia do Público e do Sol, bem como o relatório elaborado pelo Alexandre Monteiro sobre este assunto.

Basicamente temos uma dupla de mariscadores que em 2017 encontrou vestígios de um naufrágio e os comunicou à DGPC, e, também, à equipa da Câmara de Cascais. Por sua vez a equipa de Cascais apresentou em 2018 vestígios de um naufrágio identificado como pertencendo a uma nau da Índia.

Ora a dupla de mariscadores, contesta a descoberta apresentada pela equipa de Cascais, dizendo que o naufrágio agora apresentado é o mesmo que haviam identificado em 2017. Argumentam que as imagens mostradas pela equipa de Cascais correspondem àquilo que tinham identificado e fizerem um novo mergulho, no qual recolheram algumas peças, para o comprovarem.

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Estante Histórica

A releitura de Pátria, fez-me recordar duas outras leituras sobre a questão judaica, mas em banda desenhada. Nenhuma delas é o, já clássico, Maus de Art Spiegelman.

A leitura mais recente foi do álbum Wannsee em maio deste ano, enquanto a outra terá sido feita em 2001 ou 2002, a um álbum intitulado Auschwitz.

Julgo que faz algum sentido escrever sobre os dois em simultâneo, na sequência da leitura do Pátria. Afinal de contas, Wannsee tem como base a reunião cujos documentos são encontrados no Arquivo do Reich por Xavier March e que o levam a perceber o que tinha acontecido aos judeus na Europa.

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Observador!?!?

O jornal online, com o título em epígrafe, não me merece propriamente grande credibilidade. Basta que conte com a colaboração de uma figura que não descansou enquanto não sabotou o trabalho de todos os directores do Público para conseguir ficar com o lugar.

Por Ricardo Liberato – All Gizah Pyramids, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2258048

Portanto, são raras as vezes em que os meus olhos se cruzam com semelhante publicação. No entanto ontem, no meio das notificações de notícias com que somos brindados no telemóvel, cortesia dos senhores da google, apareceu uma sobre arqueologia, que li, por curiosidade.

A notícia em si, não me parecia que trouxesse nenhuma informação extraordinariamente nova, a utilização de rampas e trenós para transportar os blocos de pedra que serviram para a construção das pirâmides já era encarada como uma hipótese bastante credível há algum tempo.

Porém a parte final da “notícia” é absolutamente ridícula. Ao apresentar as supostas diversas teorias disponíveis para explicar o transporte das pedras, refere-se que o transporte e construção se poderia ter ficado a dever: aos extraterrestres, aos atlantes e aos nefilins!!!

É caso para dizer bingo!!! Penso que nem aquele rapaz do canal História conseguiria fazer o pleno na idiotice em tão curto espaço de texto.

Seria apenas ridículo, não fosse o autor da “notícia” ter acrescentado que, pelo menos, os extraterrestres eram vistos como uma hipótese credível pela comunidade arqueológica.

Eu sei que os arqueólogos são estranhos, mas ainda não conheci nenhum que recorresse aos extraterrestres para justificar qualquer achado mais complexo na sua interpretação.

Até porque, temos sempre o recurso às manifestações do simbólico e do sagrado para justificar o injustificável, sem precisar de cair no ridículo…

Jukebox Pré Histórica

Vivemos na época da tecnologia e da partilha de informação em que, em minutos, ficamos a saber tudo sobre qualquer assunto, ou pessoa, mesmo que não tenhamos um especial interesse no assunto, ou na pessoa.

O que me faz recordar uma canção, de um dos álbuns que ajudou a fundar a corrente do metal progressivo: Rage for Order, dos Queensryche, editado em junho de 1986, já lá vão 32 anos!

Ainda assim, é um álbum que não envelheceu, passados estes anos todos. As experiências sonoras podiam ter sido feitas ontem, e os temas abordados nas letras, à excepção dos relacionados com os vampiros (que são um bocadinho fruta da época e influência dos livros da Anne Rice) continuam a fazer sentido hoje: a tecnologia; a inteligência artificial; o descontentamento com a sociedade e os políticos. Estas temáticas já afloravam no álbum anterior, The Warning e o descontentamento social e político e as relações humanas vão ser exponenciados no álbum seguinte, o mítico Operation:Mindcrime.

A música escolhida não é, no entanto, um original, dos Queensryche. Trata-se um tema originalmente editado por uma cantora canadiana, Lisa Dalbello, que a editora propôs que os Queensryche gravassem, para alavancar, como single, as vendas do álbum.

Gonna get close to You, ainda que não o seja directamente, acaba por entrar no lote das canções sobre vampiros com o vídeoclip a acentuar a componente gótica do tema. Não é, nem de longe nem de perto a melhor canção do álbum, as guitarras ficam demasiado presas ao ritmo, marcado pelo sintetizador na canção original, mas a letra adequa-se a um tempo em que, para estar perto já não precisamos de respirar no ombro do outro, basta ligar o pc…

Queensryche ao vivo:

O videoclip: aqui!

E aqui o original de Lisa Dalbello!

Casa nova para o Arquivo Histórico Militar

Foram inauguradas na passada quarta-feira, no âmbito das cerimónias do Dia do Exército as novas instalações do Arquivo Histórico Militar.

A notícia apanhou-me de surpresa, uma vez que não tinha conhecimento desta intenção do Exército. O último discurso que ouvi do Director de História e Cultura Militar, em Dezembro de 2017, centrava-se nos museus e não fazia qualquer alusão a esta mudança.

Foi por isso com surpresa, mas também com alegria, que vi a publicação da Liga dos Amigos do Arquivo Histórico Militar a partilhar no Facebook um pequeno vídeo de apresentação das novas instalações, numa espécie de resumo histórico e visita guiada efectuada pelo actual Director do AHM, Coronel Carreira Martins.

As instalações em Santa Apolónia, no edifício do Estado Maior do Exército eram claramente insuficientes, pelo menos desde a década de 1990, o que teve como consequência a necessidade de dividir a documentação entre Santa Apolónia e o antigo Convento de Chelas, onde estava instalado o Arquivo Geral do Exército, com os constrangimentos que esse tipo de situação cria tanto ao nível do trabalho técnico como da investigação. A título de exemplo a consulta de processos individuais tinha de ser agendada previamente, uma vez que esses documentos estavam em Chelas. Em caso de imprevisto, lá ficava o utilizador sem os documentos…

E se as novas instalações podem representar um salto em frente na qualidade do trabalho desenvolvido, é reconfortante saber que, algumas das pessoas, e são elas que fazem o espírito do AHM, são as mesmas com quem tive a oportunidade de conviver no inverno de 1998, enquanto fazia o tratamento do fundo da Direcção de Justiça e Disciplina.

O vídeo de apresentação das instalações partilhado nas redes sociais:

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2076690692579618&id=1981081602140528